quinta-feira, 8 de abril de 2010

Gilles Deleuze sobre a Palestina (1978)

Como é que os palestinianos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Como podem ter país, se o seu país lhes foi roubado? Os palestinianos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
No conflito Israel-Palestina, as acções dos israelitas são consideradas retaliação legítima (mesmo que os seus ataques sejam desproporcionais); e as acções dos palestinianos são, sem excepção, tratadas como crimes terroristas. Um palestiniano morto jamais interessa tanto, nem tem o mesmo impacto, que um israelita morto.
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi acto de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de facto, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestiniana, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).
Um povo sem terra e sem Estado, como o palestiniano, é como uma espécie de leme, que dá a direcção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio económico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinianos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
Os militantes palestinianos têm dito que teriam conseguido arrancar, no Líbano, alguma espécie de vitória. No sul Líbano, só havia grupos de resistência, que se comportaram muito bem sob ataque. A invasão israelita, por sua vez, atacou cegamente refugiados palestinianos e agricultores libaneses, população pobre, que vive da terra. Já se confirmou que cidades foram arrasadas e que civis inocentes foram massacrados. Várias fontes informam que se usaram bombas de fragmentação.
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelitas, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e actos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagueiam pelas estradas.
O Estado de Israel está a usar, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está a “palestinizar” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinianos nasceu dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas. Não é por termos um relacionamento com o Líbano que dizemos: Israel está a massacrar um país frágil e complexo. E há mais.
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.
A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos levará necessariamente a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.
Israel inteira está envolvida numa experimentação. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.
Existe marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução, que o mandava sair dos territórios ocupados, em direito de construir colónias!
Achou que seria excelente ideia manter uma força de paz no sul do Líbano… desde que essa força, em vez do exército israelita, transformasse a região em área militar, sob controlo policial, um deserto em matéria de segurança.
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinianos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De facto, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.

Publicado originalmente no Le Monde (7/4/1978) e, depois, em Deux régimes de fous: Textes et entretiens, 1975-1995 (Minuit, 2003), org. de David Lapoujade.
Tradução a partir do inglês: Caia Fittipaldi. Tradução a partir do português do Brasil: Cristino.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Risy, ignoras-me!!?!

Dizes que as raízes em que me fundo não me levam a lado nenhum... Tens razão! Por isso, são raízes!!
Quanto mais penso, menos dispenso quem diz "penso" e faz; uma vez que o meu pensamento é impulso e impulsionador de uma realidade em que as acções provêm do meu próprio derrotismo.
Quero dor, sem o querer!

Quero receber, sem dar!
Quero paz, paz-pós-violência, porque me parece ser mais saborosa!
Quero amor, sem o ter, sem o ver, sem o ser e sem "O SER"!

Porque engana-se aquele que pensa.

Porque engana-se aquele que pensa que uma boa vida só é vivida em paz!
Porque engana-se aquele que pensa que uma boa vida só, é que é vivida em paz!
Porque engana-se aquele que pensa numa vida só - uma vida só, vivida só - de paz!



Estou parado, quase morto...Se assim não fosse, diria: "Ando" com medo de mim próprio!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

The Rose that grew from Concrete

Did u hear about the rose that grew from a crack
in the concrete
Proving nature's laws wrong it learned 2 walk
without having feet
Funny it seems but by keeping its dreams
it learned 2 breathe fresh air
Long live the rose that grew from concrete
when no one else even cared!

Tupac Shakur

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As nuvens de onde tu vens!

"Como
os casmurros dizem
que os poetas
andam nas nuvens,
eu digo que é
para caminhar no macio
e preservar os pés!"
Laureans

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

final credits?


Um som, um toque, um ruído

Desperto para uma existência sem sentido

Pois não sinto amor, não sinto nem pavor

Não sinto o temor de só poder ficar a dor

E passo a tempo a pensar, a reflectir

sem saber se devo renunciar ou resistir

Contigo, e de ti, te digo que senti,

Segundos (e)ternos de (res)sentimentos em mim,

E quero voltar a adormecer,

Entrar no mundo imaginário e aí poder receber

Carinho_ cenário desse tal caminho

De um sonho irreal cujo fim já adivinho

Mas qual o motivo….

Do final modesto de um sonho_ tão positivo? (…)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

(Som)Os Sentimentos: medo e amor

"É o medo, que me faz perdulário:
Não me faz recuar, faz-me avançar em sentido contrário.
E o medo... não perde pela demora...
"Sei que o vou fazer, só não o vou fazer agora!"
É o medo, que me faz perdulário:
Não me faz recuar, faz-me avançar em sentido contrário.
Vou ocupando a vida, até me estou a entreter, mas

Entretanto pergunto-me "O que estou eu aqui a fazer?"

É o medo que nos faz avançar em sentido contrário
E, em idade de sair, fecha-nos no armário.
E o medo dá-te a facada nas costas

E ilude-te com respostas, que no fundo não gostas.
Sorris amareladamente, mas não fiques contente,
Se o medo te fez avançar num caminho diferente.
Em questão fica a reacção do teu lado mais orgânico;
O teu corpo não é mais que uma sala de pânico.
Falha a missiva! E logo te desmotiva...
E ficas louco, vês in loco locomotiva, que se afasta.
E tens nefasta visão, que devasta a sensação de ser quem és e estar bem.
Saber que paraste, nem tentaste perseguição e ficaste na estação, que de vasta nada tem.
É o medo da vergonha que te fecha com os teus medos
E levas vida medonha, que te faz guardar segredos!!!

(...)

Demasiado sóbrio, é por isso que sinto frio
E vencer-me a mim prório é o meu maior desafio.
Sonho com o receber, mas sem praticar o dar
Nunca hei-de perceber o que temos a trocar.
Quem me dera a mera ideia de te poder ter a meu lado
Desconhece a prece que faço, por um abraço imaginado.
Tenho por escasso o espaço que nos tem separado,mas
Um amante sem amor não consegue ser amado.
Esquece-me!
Entristece-me saber que ainda não me sinto à altura.
(Segura-me!)
Há algo que me puxa pra baixo

E acho que eu fui morte no passado e tu és vida futura.
Mostra-me o caminho (apesar de ser cliché), mas

Não sei o que te dizer (e por alguma coisa o é!)
Sob protesto evidencio: fizeste um teste e eu venci-o! Mas...

(Perco, porque és como eu) Escondes-te atrás do silêncio!

É da minha natureza querer sonhar e levar-te
- Sem destreza! - para te segurar e amar-te.
És a leveza, que me corre no sangue.
Eu sou o negro do yin, tu és o branco do yang! "



PS: Procuro balança de palavras! Risy, não entendes? (A balança ou as palavras?)