segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Caramba
E já que, ainda por cima, a vida é pesada, diga-me lá, se puder, quantos quilos tem o amor?
E já que a paciência tem os seus limites, diga-me lá quantos são, que é p´ra eu saber se espero ou não."
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O Elixir da Eterna Juventude
Estou velho!
dói-me o joelho
dói-me parte do antebraço
dói-me a parte interna
de uma perna
e parte amiga
da barriga
que fadiga
o que é que eu faço?
escolho o baço ou o almoço?
vira o osso
dói o pescoço
é do excesso
do ex-sexo
alvoroço
perco o viço
já soluço
já sobroço
esmiúço os meus sintomas
e já agora, do meu médico
os diplomas
esmiúço
a consciência
e já agora, apresento a penitência
Ah que estou arrependido de ter feito e de ter tido ai oração, ora seja como a que ouvi na igreja Mea culpa, mea culpa minha máxima desculpa é ter vindo p´ro presente conservado em aguardente Quero ser p´ra sempre jovem as minhas células movem uma campanha eficaz água benta e água-raz O elixir da eterna juventude esse que quer que tudo mude p´ra que tudo fique igual estava marado falsificado é desleal! Vou implorar aos apóstolos mas é pior, que desgostos com tanto pecado junto não lhes pega nem o unto Vou recorrer aos meus santos esses, ao menos, são tantos que há-de haver um que me acuda senão ainda tenho o Buda Maomé vai à montanha o papa, ninguém o apanha na Rússia, o rato rói a rolha venha o diabo e escolha O elixir da eterna juventude esse que quer que tudo mude p´ra que tudo fique igual estava marado falsificado é desleal! Misticismo agora à parte envelhecer é uma arte "arte-nova", "arte-final" numa luta desigual Só me vou pôr de joelhos ante o mais velho dos velhos e perguntar-lhe o segredo de p´ra ele inda ser cedo Quando o espelho me mira já nem o chapéu me tira deito-lhe a língua de fora pisco o olho e vou-me embora O elixir da eterna juventude esse que quer que tudo mude p´ra que tudo fique igual estava marado falsificado é desleal!
Com um brilhozinho nos olhos, ficamos imóveis a dar uma de "téte a téte"!
What I have is right here
Spend my nights and days before
Searching the world for what's right here
Underneath and unexplored
Islands and cities I have looked
Here I saw
Something I couldn't over look
I am yours now
So now I don't ever have to leave
I've been found out
So now I'll never explore
See what I've done
That bridge is on fire
Back to where I've been
I'm froze by desire
No need to leave
Where would I be
If this were to go under?
That's a risk I'd take
I'm froze by desire
As if a choice I'd make
And I am yours now
So now I don't ever have to leave
I've been found out
So now I'll never explore
I am yours now
So now I don't ever have to leave
I've been found out
So now I'll never explore
So now I'll never explore..."
The XX - Islands
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Vivo uma Vida que não Quero nem Amo: Evolução (pela poesia)
Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental, in "Sonetos"
Vivo uma Vida que não Quero nem Amo
Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.
Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa
