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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Coisas que tapam outras coisas

"Só existe cidade porque há coisas que tapam outras coisas. Senão, não havia cidade!"

Na pseudo-democrática urbe, é bela a "promíscua" relação de realidades distintas. A cidade dá corpo à área de combate, o espaço da multipli(pluri)cidade, a zona dos choques.. por excelência!

Do passado e do futuro.
Da riqueza e da pobreza.
Da nobreza e da plebe.
Do belo e do feio.
Do poder e da impotência.
Do correcto e do errado.
Do cheio e do vazio.
Do conservador e do vanguardista.
Do poeta e do engenheiro.
Do saúde e da doença.
Do benéfico e do maléfico.
Do ódio e do amor.
Do moderno e do tradicional.
Do saber e da ignorância.
(...)
Da vida e da morte.
De ti e de mim...

Teimamos em vê-la, reinventá-la e defini-la.
Porém, não a observamos, de modo a apre(e)ndermos, lendo-a!
"Linguagens diferentes podem contribuir para um todo!"


Risy vives no sonho (urbano)?

Citações retiradas da intervenção do Arq. Álvaro Siza Vieira, por ocasião do XIII Encontro de Municípios com Centro Histórico. Viana do Castelo, 20 de Nov. de 2008

domingo, 15 de novembro de 2009

Procurei, outrora, encontrar-me em sintonia com a irónica natureza urbana.
Outrora, encontrei-me ironicamente em sintonia com a natureza por mim procurada na urbe.
Liberdade, auto-infligida, numa prisão selvática e odiada, que amamos indiferentemente.
Indiferentes, mesmo quando nos sentimos livres de amar e selvaticamente auto-infligimos o ódio.
Somos iguais a nós próprios.

Só então me apercebi da dualidade do conceito… Natureza(-)Urbana…
Só o Homem para se esquecer da Natureza a que pertence, dando corpo à Natureza que lhe pertence.

Natureza
Nome feminino
1. mundo exterior ao homem
2. sistema das leis que regem e explicam o conjunto do mundo exterior
3. conjunto das coisas que apresentam uma ordem, que realizam tipos ou se produzem segundo leis
4. manifestação das forças num dado local
5. ordem lógica das coisas
6. conjunto dos caracteres que fazem que uma coisa ou um ser pertença a uma espécie ou a uma 7. categoria determinada; essência
8. conjunto dos traços característicos de um indivíduo; temperamento; carácter; compleição
aquilo com que nasce um ser
9. estado primitivo do homem que precede a civilização
10. espécie; qualidade; tipo
11. órgãos genitais
12. [com maiúscula] conjunto dos seres, animados ou não, que constituem o Universo
13. [artes plásticas] objecto do mundo real que constitui um modelo.



E o etéreo?
Pré-Conceitualmente a Natureza Humana alimenta-se da Natureza Urbana; por isso, é aceitável dizer-se que Aqui não há espaço para a Natureza Divina, à excepção da própria Divindade Urbana?






(“O meio condiciona o Homem”, mas jamais como o Homem influencia o meio.)

Risy ignoras a tua Natureza [(h)u(r)(b/m)ana]?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

medo


“O meu maior medo é de que a arquitectura seja necessariamente uma actividade
totalitária, uma espécie de prisão, na qual ao desenhar um espaço estás provavelmente a desenhar também o comportamento de alguém nesse mesmo espaço..."


Vito Acconci

quinta-feira, 16 de julho de 2009

EAUM - (És Algo Universitariamente Medíocre)


Casaste (com a!/?)
Casa dos que (não) percebem a arquitectura
Casa dos (com)vencidos
Casa dos (de)rot(ad)os
Casa dos vence-dores
Casa de (todos) nós
Casa de todos (vós)
Casa dos casados
Casa de M.&F.
Casa dos sol(t)eiros
Casa do real e do (ir)real
Casa da (priva)cidade
Casa do ideal/idílico
Casa dos sem casa
Casa dos 100 casas
Casa de cada casa
Casa da meta(fora)
Casa de/da pedra
Casa do PVC
Casa de/do papel
Casa de (atmos)feras
Casa etérea (mente.)
Casa basi ca/lar
Casa com/sem (un)idade
Casa com-sentimento
Casa de B.S.M.
Casa em que vergo(nhas)… nem sonhas.
(Por isso, acordas seco e sozinho!)


(continuas…a)
Casa dos sonhos...



Risy...Risy...Risy, nada!!!

Adeus EAUM!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cinema e vida real.

Uma das maiores consequências do cinema na forma como vivemos o dia a dia foi a criação da constante necessidade de ouvir musica. A música como sempre é um veículo de um estado de espírito, de uma história, de uma ideia de sociedade, e liberta na nossa mente determinados estados de espírito correspondentes. Existem na nossa mente conexões entre acções, ambientes e sons. Estas ligações são obtidas por experiências em nós próprios sob o fundo de determinados sons ou são então respostas instintivas a ritmo e melodia.

Onde melhor que o cinema se observa esta intrincada relação? Quase todos os filmes actuais tem uma banda sonora conectada com um argumento específico. Dependendo da história em tela podemo-nos identificar mais ao menos com o actor com o cenário e porque não com a banda sonora. O mesmo decorrer de fotogramas não é o mesmo observado com bandas sonoras diferentes. São criadas expectativas, medos, tristezas, alegrias ou libertação mental dependendo da musica que servir de base a qualquer acontecimento que esteja a acontecer na tela.

Ora cada vez mais o filme é a realidade e a realidade cada vez mais se assemelha ao filme. Então desta fusão resulta um comportamento muito típico. Que melhor pode haver que limpar a casa ao som de uma boa banda sonora, uma que transforme tudo numa acção realmente apaixonada e romântica, ou caminhar num parque natural sob trovejantes baterias e guitarras baixo, ou conduzir o nosso carro com a banda sonora da missão impossível por trás....pum.....acidente.

A música reproduzida no filme da mesma forma que muda a nossa percepção da imagem filmada encontra o seu paralelo nas épocas natalícias em que se ouvem de qualquer loja os jingle bells e outros que tais, quase que podemos visualizar a mesma neve que vimos no filme do outro dia e apetece até encher a meia de presentes para ter a família feliz como vimos nesse mesmo filme do outro dia.

Dentro deste espírito qual será a banda sonora de cada edifício? Será que a arquitectura não tem musica?

Bem vou pôr o meu Wagner e trabalhar para projecto....

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ESCOLA (?)

(...) Algo mudou. A cidade está diferente. As estradas são ocupadas por miúdos. Pessoas dirigem-se a ti com a maior naturalidade, sem medos, sem formalismos, sem normas. As praças são formadas de modo instintivo, os espaços são ocupados. Cada edifício é especial, cada um com as suas diferenças. Não reconheces hierarquias ou graduações na sua organização. Estranho. Chegas à tua escola. Alterou-se. Não se identifica um plano, muito menos uma qualquer hierarquia na rede de infra-estruturas. Reconheces na estranha colocação dos edifícios um processo de composição que se afasta em muito dos precedentes formais que julgavas óbvios. Aproximas-te. De repente vês o grupo de alunos no exterior a erguer uma estrutura em madeira, ferro, plástico, pano e vidro. A aula é sem estirador, sem discurso académico. É-te proposto um tema, ao qual deves responder de forma espontânea, sem desenho, apenas prática, com um mote inicial e com a descrição detalhada de todo o processo intermédio. Motivante. No final, apresentas o desenho. O teu colega foi já repreendido por ‘desenhar demais e pensar de menos’. Não é o carácter representativo que está em questão. Não é a beleza da folha que é posta em avaliação, mas sim o teu processo de descoberta, a tua viagem. A tua vontade enquanto ‘aluno em constante construção’ é reconhecida. Sem dependências de linguagens formais, apresentações ‘bonecas’ ou discurso gracioso. Ensino enquanto processo de descoberta. Poesia enquanto expressão. Arte enquanto processo natural. De repente. Barulho. Acordas. Tudo falso. (…)















Escola de Arquitectura
de Valparaíso, Ritoque, Chile